OS BENEFÍCIOS DO JEJUM INTERMITENTE.


jejum intermitente

O jejum intermitente trata-se de uma estratégia de diminuição da frequência alimentar podendo ser uma restrição completa ou parcial na ingestão de calorias (entre 50 e 100% da ingestão calórica total diária) de 1 a 3 dias por semana ou uma restrição completa na ingestão de calorias em um período durante o dia. Essa prática foi avaliada durante o período do Ramadan, no qual se trata de um mês sagrado no calendário islâmico em que os muçulmanos se privam de comer ou beber durante o dia, ocasionando em aproximadamente 12 horas de jejum. Ao final do processo, era observado que os indivíduos apresentavam diminuição da frequência cardíaca e diminuição da massa gorda, o que poderia relacionar a prática do jejum com os benefícios a saúde.


A adesão a essa prática vem se destacando pelo fato de ser mais facilmente aderido pela população em comparação com outras estratégias utilizadas como também evidenciam seu potencial para corrigir anormalidades metabólicas. Entre os fatores que mais se destacam está a melhora na sensibilidade a insulina, melhoras no perfil lipídico, diminuição da pressão arterial, diminuição dos marcadores inflamatórios e aumento da lipólise.


Apesar dos efeitos benéficos relacionados à aplicação dessa prática, o jejum pode resultar em eventos adversos leves, como dores de cabeça, desmaios, fraqueza e desidratação. Além do mais, o jejum excessivo pode levar à desnutrição, distúrbios alimentares, susceptibilidade a doenças infecciosas ou danos moderados aos órgãos.


Além disso, esse controle de calorias beneficia a saúde cardiovascular, redução de peso, sensibilidade à insulina, controle do diabetes, função cognitiva e prevenção do câncer nos seres humanos. Mesmo com esses benefícios, a restrição calórica pode ser difícil de ser praticada em longo prazo, podendo aumentar o risco de desnutrição. No entanto, alguns estudos referem que o jejum intermitente reduz esse risco pela facilidade em ser seguida. Ademais, há uma quantidade crescente de estudos no qual sugere que a prática do jejum intermitente também poderia ser um esquema nutricional viável no combate a certas doenças.


Uma forma particular de jejum intermitente que vem chamando atenção é a Alimentação com Restrição de Tempo (ART) que permite que os indivíduos se alimentem e façam o jejum dentro de uma janela de tempo definida, tipicamente 12 horas ou mais. Dessa forma, o ponto chave sobre o jejum intermitente é que, geralmente, não há controle na ingestão das calorias, mas sim no período da alimentação.


Dentre alguns mecanismos benéficos à saúde através do jejum intermitente é que o mesmo, através da ativação das vias induzidas pelo estresse, aumenta a transcrição de 14 Proteínas de Choque Térmico. Essas proteínas são aumentadas em condições difíceis como o estresse oxidativo, hipóxia, degradação de proteína e depleção de energia. As HSPs também possuem propriedades anti-inflamatórias e antiapoptóticas e encontram-se diminuídas nos músculos esqueléticos de pacientes diabéticos devido a resistência a insulina, o que refere que o jejum intermitente poderá trazer alguns benefícios nesses indivíduos, visto que as HSPs ainda estão associadas a redução da resistência insulínica, intolerância a glicose e hiperglicemia em estudos com animais. Outro mecanismo do jejum intermitente é a melhora do mecanismo autofágico que é um meio pelo qual as moléculas e organelas prejudiciais ao organismo são eliminadas. Além do mais, são atenuados os efeitos do envelhecimento na autofagia, o que mantem o rejuvenescimento celular.


Com relação às alterações hormonais, o jejum intermitente também está envolvido no aumento dos níveis de adiponectina em humanos e em animais. Alguns estudos referem o envolvimento da adiponectina na modulação da atividade insulínica e também na redução da disfunção das células β. Portanto, o aumento desta citocina está diretamente proporcional à redução da insulina, devido à modulação da sensibilidade insulínica.


A interação do jejum com o exercício físico possui uma relação significativa com as proteínas e os lipídios. Nesse mesmo estudo de Moraes (2017), o exercício foi eficiente no controle da composição e na gordura corporal independente do perfil da alimentação adotado. Porém, a acumulação de gordura observada no grupo que praticou o jejum intermitente sem exercício físico, poderá ser revertida associando o JI com o exercício físico, como ocorreu no grupo 4. Isso pode estar relacionando com a regulação da proteína fsp27 através do jejum intermitente que demonstrou estar associada ao maior armazenamento de gordura, além disso, o exercício de resistência pode regular de forma negativa a fsp27, através da ativação da AMPK.


Alguns estudos sugerem que o jejum intermitente pode reduzir o peso corporal e aumentar o gasto de energia ativando o tecido adiposo marrom, sendo este, um grande alvo terapêutico contra a obesidade. De fato, outros estudos descobriram um aumento da atividade mitocondrial e utilização exacerbada de lipídios armazenados através da combinação do jejum intermitente com exercício sugerindo um metabolismo oxidativo lipídico melhorado.


O jejum intermitente tem sido uma estratégia que cada vez mais tem ganhado espaço na mídia e tem sido um estilo de vida muito comumente praticado por diversos indivíduos atualmente. Diante disso, a cada momento, vem crescendo os estudos com o objetivo de esclarecer essa prática. Diversos estudos em animais expõem os benefícios provenientes do jejum, no entanto, em humanos, ainda são insuficientes e a maioria ainda são limitados a estudos observacionais de jejum religioso (Ramadã).


Diversos benefícios como diminuição da resistência à insulina, redução do colesterol e sua frações, dos triglicerídeos, até o benefício na composição corporal desejada, com a redução da massa gorda prevenindo a perda da massa magra, tem sido bem elucidado na literatura, porém além da necessidade maior de estudos em humanos, é necessária também uma ampliação desses estudos em diversos indivíduos, acrescentando também os saudáveis e/ou atletas, visto que a maioria são realizados em indivíduos com sobrepeso, obesidade e com alguma patologia.


É necessário também que os estudos tenham maior controle na alimentação dos indivíduos que estejam participando, uma vez que esse fator é essencial por influenciar nos resultados, e assim, comprometer sua fidedignidade. Dessa forma, conclui-se que apesar dos benefícios, ainda é importante ter cautela, pois além das ressalvas citadas, os efeitos em longo prazo ainda são desconhecidos. Vale salientar também que é essencial respeitar a individualidade, tendo o profissional a sensibilidade de avaliar qual o melhor método a ser utilizado naquele individuo e que possa ser eficiente para atingir os objetivos necessários.

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